Como diria Joseph Adison: “A amizade desenvolve a felicidade e reduz o sofrimento, duplicando a nossa alegria e dividindo a nossa dor.”
Porém, até que ponto a conversa com seu melhor amigo pode substituir a conversa com um terapeuta?
Saber com quem falar pode fazer a diferença entre a resolução de um problema e o agravamento do mesmo, por isso, você deve conhecer as principais diferenças entre falar dos seus problemas com seus amigos ou com seu terapeuta:
| AMIGO: | TERAPEUTA: |
| Costuma dar conselhos e sugestões, o que na maioria das vezes é útil, mas quando a questão é mais séria, por mais que os conselhos do seu amigo sejam bons, não resolvem o problema. | Aplica técnicas psicológicas, que são meios utilizados para ajudar o cliente a encontrar soluções para suas questões emocionais, seja ansiedade, raiva, fobias, depressão ou semelhantes. |
| Te diz como resolver, baseados em sua própria experiência oferecem soluções prontas para o problema sem levar em consideração que existe um mundo interno de conflitos que precisam ser resolvidos antes de qualquer ação. | Escuta empaticamente, procura entender os acontecimentos do ponto de vista do paciente e não do seu próprio. E auxilia na tomada de decisão, considerando a atitude mais assertiva a ser tomada. |
| Te chama pra sair. É normal que os amigos queiram nos distrair, tirar o nosso foco da situação para diminuir o sofrimento, mas eles fazem isso justamente porque não sabem ajudar de outra maneira. Será que se distrair em alguma festa ou beber com os amigos resolve o problema? Quando a questão é mais séria, se distrair não adianta, quando você voltar pra casa, o problema estará lá te esperando. | Não julga ou influência, jamais vai dizer “Eu já sei! O que você precisa é abrir uma garrafa de vinho e beber comigo até sua dor passar”. O objetivo do terapeuta é fazer com que você encontre suas respostas, saber exatamente onde dói, porque dói e o que fazer para parar de doer. |
| Fala que vai passar, diz “Isso passa, você vai ficar bem!”. Imagina que você está com unha encravada e eu digo “Liga pra isso não, você vai ficar bem, vai se curar sozinho”. E no fundo, você sabe que não vai se curar sozinho. Algumas questões emocionais não vão simplesmente passar sozinhas, nem com conselhos, nem com distrações, nem com abraços sinceros e amorosos. Você vai precisar encarar o problema de frente e se achar que não consegue sozinho, é o momento de procurar ajuda profissional. | Acolhe seu sofrimento, caminha junto com você rumo à solução, afinal esse é o trabalho dele, porém mais que isso, ele escolheu essa profissão por amor, o propósito maior de ajudar pessoas a se resolverem. Muitas vezes, a resposta está no próprio paciente e o terapeuta serve como guia para trazer esclarecimento e alívio do sofrimento. |
A rede social de uma pessoa é sim indispensável e, muitas vezes, é preciso contar com o apoio dos amigos e familiares. Entretanto, através dela, nem sempre é possível obter uma resolução adequada aos problemas apresentados. Em alguns casos, nota-se a piora do estado emocional de uma pessoa, pelo sentimento de incompreensão e pela obrigação em tomar uma determinada atitude.
A escuta terapêutica é feita por um profissional treinado que dispõem de ferramentas específicas para auxiliar o paciente a encontrar a melhor solução para si mesmo. Sem julgamentos, moralismo ou cobranças. Na terapia a aceitação é incondicional, independente das atitudes ou dificuldades.
Algumas literaturas chamam o terapeuta de curador ferido, uma pessoa que passa por problemas, mas que usa isso para se tornar mais humano e compreender com maior exatidão a dor das pessoas.
Para ser terapeuta, tem que ser louco, afinal quem com juízo perfeito se importaria em carregar os problemas dos outros?
