Artigos, Autoconhecimento, Depressão / Ansiedade, Felicidade, Vídeos

Vende-se: felicidade

Resiliência, mindfulness, wellness e cura são palavras às quais estamos cada vez mais expostos nos últimos anos. Sua presença parece nos dizer que adquirir o básico já não nos basta e que hoje a missão é alcançar um nível de felicidade quase perfeito.

William Davies, no estudo The Hapiness Industry, explora a sensação de que o sistema  culpa o indivíduo por não ser feliz ao mesmo tempo em que se esquiva de analisar o contexto em que essa infelicidade acontece.

A partir dessa culpabilização, surgem convites massivos nas mídias sociais que insistem para que saiamos da nossa zona de conforto, que nos arrisquemos mais e tornemos realidade os nossos sonhos. Como se tudo isso fosse unicamente responsabilidade do indivíduo, sem considerar sequer o contexto ao qual está inserido. 

Somando-se a isso, as inúmeras as propagandas, profissionais, perfis, cursos, livros de autoajuda prometendo cura e bombardeando-nos com mensagens motivacionais. Como se fosse uma obrigação permanecer feliz o tempo todo. Do contrário, há algo de errado. 

“O que me leva a crer que a felicidade tenha se tornado apenas mais um negócio lucrativo”

Não que seja errado querer viver melhor e se sentir feliz, o problema é quando isso se torna uma obsessão e você se sente problemático ao não fazer parte da enxurrada de sorrisos e conquistas expostas nas redes sociais.

No momento, existe uma contradição dos discursos sociais que definem o que é prazer, felicidade, riqueza, amor, plenitude, etc. Contrastando com as condições problemáticas de vida que a maioria dos indivíduos se encontram. E não se trata apenas de condição financeira, mas também das necessidades não satisfeitas, dos sonhos não realizados, como os de amor, família e reconhecimento.

Isso cria um nicho de mercado para esses negócios da felicidade, oferecendo um falso trabalho terapêutico que promete realizar o indivíduo nos seus desejos mais profundos.

Resultado de imagem para ganancia

Acredite! Existem muitos charlatões tirando proveito econômico das nossas fraquezas.

Um novo movimento tem surgido, o de criticar a banalização do pensamento positivo. Com a premissa de que ele gera falsas esperanças e serve como meio para extorsão.

Nesse mundo virtual, se torna muito difícil distinguir o que é verdadeiro ou falso. Sendo assim, somos facilmente enganados, manipulados e influenciados para desejarmos aquilo que não possuímos em totalidade. Isso inclui a sensação de felicidade.

Não estou dizendo que todas as práticas para aumentar a paz e felicidade sejam falsas. Apenas saiba diferenciar profissionais qualificados e métodos reconhecidos.

Procure ajuda profissional se você sentir necessidade, mas não caia nas promessas infundadas que podem, inclusive, agravar seu problema. 

Por enquanto, aceite que faz parte da vida, ter altos e baixos. Um dia podemos acordar feliz, noutro, acordar com uma sensação desagradável, sem nenhum motivo aparente.

Que não façamos disso um problema! O caminho é apenas aceitar que hoje não é um dia bom e ponto final, seguimos em frente. Ninguém é perfeito e não existe nada de errado em não ser.