O que é normal e o que é disfunção em sexualidade?
A normalidade está relacionada ao fato da sexualidade ser compartilhada de forma que o casal esteja de acordo com o que é feito, sem caráter destrutivo para o indivíduo ou para o parceiro. Dito de outra forma, consideram-se normais todos os comportamentos sexuais que forneçam gratificação a ambos os parceiros, que não causem sofrimento a ninguém, que não se associem a sintomas de ansiedade.
As disfunções sexuais são perturbações nos processos que caracterizam o ciclo de resposta sexual ou por dor associada com a relação sexual. O ciclo de resposta sexual pode ser dividido nas seguintes fases:

1 – Desejo:Esta fase consiste em fantasias acerca da atividade sexual e desejo de ter atividade sexual.
2 – Excitação: Fase de preparação para o ato sexual desencadeada pelo desejo. Junto com a sensação de prazer, surgem alterações corporais que são representadas basicamente no homem pela ereção e na mulher pela lubrificação vaginal e aumento dos mamilos.
Platô: Fase em que a excitação se estabiliza e permanece em seu ponto máximo.
3 – Orgasmo: É o clímax de prazer sexual, sensação de prazer máximo, que ocorre após uma fase de crescente excitação. No homem, junto com o prazer ocorre a sensação de não conseguir mais segurar a ejaculação, e então ela ocorre; e na mulher, ocorrem contrações na musculatura genital.
4 – Resolução: Esta fase consiste em uma sensação de relaxamento muscular e bem-estar que ocorre após o orgasmo, e para os homens em geral, associa-se ao seu período refratário (intervalo mínimo entre ereções). Na mulher este período refratário não existe, podendo responder a uma estimulação adicional quase que imediatamente.
Sobre o diagnóstico:
O diagnóstico de disfunção sexual está reservado para casos em que as dificuldades com o funcionamento sexual ocorrem de forma persistente e causam aflição significativa ou problemas para o indivíduo ou casal. Para determinar as dificuldades sexuais precisa-se de um diagnóstico profissional, deve-se levar em consideração a idade e a cultura do paciente, bem como a duração do problema. Primeiro é preciso descartar causas orgânicas, por isso, pode ser necessário uma avaliação de um ginecologista ou urologista antes do tratamento psicoterápico.
Vale lembrar que disfunção sexual independe de identidade de gênero, papéis de gênero, orientação sexual ou sexo biológico. O que se busca no tratamento é a resolução do conflito que impede a satisfação plena no ato sexual. E isso engloba a diversidade de gênero.

Tipos de Disfunções Sexuais:

Nas mulheres podem ocorrer:
- Transtorno do Desejo Hipoativo (Libido);
- Aversão ao sexo (Fobia);
- Anorgasmia (dificuldade ou ausência de orgasmo);
- Vaginismo (contração involuntária dos músculos pélvicos impedindo a penetração);
- Dispaurenia (dor na relação sexual não causada por fatores orgânicos);
- Transtorno da Excitação Sexual Feminina (pouca ou nenhuma sensação subjetiva de excitação).

Nos homens podem ocorrer:
- Transtorno Erétil (incapacidade de obter ou manter uma ereção até a conclusão do ato sexual);
- Transtorno do Orgasmo Masculino (ausência de orgasmo após excitação normal);
- Ejaculação Precoce (déficit do controle voluntário sobre a ejaculação);
- Ejaculação Retardada (dificuldade na ejaculação);Falta de Desejo (baixa libido).
Causas das Disfunções Sexuais:
Orgânicas: Doenças vasculares; diabete e outras doenças que afetam o sistema nervoso central e o periférico; níveis hormonais; álcool; medicamentos; fumar cigarros; processo natural do envelhecimento; patologias penianas; dores crônicas e outros.
Psicossociais: Depressão; estresse; problemas financeiros; ameaça de perda do emprego; aspecto da atratividade insatisfatório; medo do desempenho; antecipação do fracasso; atitude severa dos pais; ameaça de punição por falhas; problemas de relacionamento do casal; fatores culturais; crendices e mitos sexuais; experiências passadas (violências, traumas); comunicação insatisfatória e repertório sexual restrito; educação falha; influencia da religião; dificuldade de falar sobre a questão.

Como funciona o tratamento das Disfunções Sexuais?
A Terapia Cognitivo-Comportamental vem apresentando respostas bastante satisfatórias no tratamento das disfunções sexuais. O tratamento das disfunções sexuais envolve uma avaliação médica e psicológica criteriosa. Às vezes, é preciso associar tratamento medicamentoso à psicoterapia.
Para iniciar o tratamento o terapeuta cognitivo-comportamental costuma utilizar algumas sessões para a avaliação e formulação de um plano de tratamento, em que é possível conhecer os antecedentes, detalhes com relação à natureza e a amplitude das dificuldades sexuais e dispor de conhecimento geral sobre fatores causais e de manutenção das dificuldades sexuais.
O objetivo primário da terapia sexual é ajudar o casal ou o indivíduo a desenvolver um relacionamento sexual mais satisfatório. Além disso, apresenta outros objetivos, como por exemplo auxiliar o cliente a descobrir o que é satisfatório e adequado na atividade sexual, diminuir a ansiedade que atrapalha o desempenho, estimular a confiança e a segurança (autoconhecimento e conhecimento do parceiro) e aumentar o seu repertório sexual. Para uma boa relação sexual o terapeuta também pode incentivar uma distribuição das responsabilidades, o emprego de fantasias e uma visão mais sensorial, lúdica e descomprometida.
O tratamento na Abordagem Cognitivo Comportamental engloba a psicoeducação sexual, reestruturação de pensamentos disfuncionais, uso de técnicas comportamentais, controle de estímulos, etc. Diz respeito a um esforço para criar condições que levam a um funcionamento sexual saudável e satisfatório. Além de, buscar novas estratégias e modos de pensar sobre a questão.
