Escuto com frequência questionamentos sobre qual profissional escolher para fazer psicoterapia. Pessoas dizendo que orientadores, coachings ou aconselhadores possuem mais experiência de vida que muitos psicólogos formados.
Em partes, essa afirmação até pode ser fundamento, pois as experiências são nossa principal fonte de educação. Sabe-se hoje que nosso cérebro interpreta os acontecimentos a nossa volta como vivências próprias. Aprendemos constantemente com situações que acontecem conosco, mas também com situações alheias ao nosso alcançe. Quantas vezes não aprendemos junto com uma dificuldade que um amigo passou? Ou com o que nossos familiares enfrentam a cada dia?
Sem dúvida, essas vivências servem como meio de aprendizagem. Mas não dão o direito de sair por aí ensinando outras pessoas sem embasamento teórico e científico. E o pior, cobrando por isso. As faculdades tem uma razão de existir, possuem a função de educar adequadamente o profissional, para que este atue de forma ética e regulamentada. Podendo sofrer penalidades caso ultrapasse os limites do bom senso.
Portanto, o psicólogo passa por anos em formação, compartilhando experiências de professores, colegas, escritores e filósofos conceituados. Adquirindo muito conhecimento através de treinamentos e de prática clínicas. Sendo assim, não podemos minimizar a formação acadêmica a apenas um diploma. Pois, existe sim, muito empenho e labor para consegui-lo, são muitas horas investidas em atendimento supervisionado, estudo de caso, leitura e escrita de artigos científicos.
Não me entenda mal, conheço coachings e terapeutas que são bons profissionais. Porém, são pouquíssimos e estes tiveram uma extensa formação para realizar esse trabalho. Eles não se consideraram profissionais aptos depois de fazer cursos à distância ou de final de semana.
Alguns profissionais agem como se a saúde fosse brincadeira, como se não pudessem causar danos à vida alheia. Eu mesma atendi pessoas (sim, mais de uma) que saíram de treinamentos motivacionais em surto psicótico, precisando inclusive de internação. Atendi pessoas que tentaram suicídio pois foram culpadas de seus problemas e consideradas sem solução. Tudo isso, feito por pessoas que se intitulam “profissionais de ajuda”.
Por favor, tome cuidado a quem confia sua saúde mental, ela é muito mais complexa e frágil do que se imagina.

Dicas para se proteger:
- Pesquise sobre o profissional: currículo, idade, formação acadêmica, experiência profissional, quantidade de pacientes, etc.
- Procure pelas experiências profissionais reconhecidas: se trabalhou em empresas, instituições, clínicas, se fez estágio e supervisão. Duvide se o profissional trabalhou por conta própria até o momento.
- Desconsidere avaliações virtuais: no mundo virtual, muitos dados podem ser falsos.
- Fuja das promessas milagrosas, por mais tentadoras que elas sejam, elas não são verdadeiras. Profissionais da área da saúde sabem que cada pessoa é única e reage de modo particular, por isso, não é possível prometer resultados fantasiosos.
- Saiba que a propaganda aceita tudo: promete cura, dinheiro fácil, intitular-se de “melhor do Brasil ou do mundo”, promete solução fácil para os seus problemas. Esse tipo de marketing mostra por si só, que a única finalidade é lucrar, pouco importando os resultados positivos ou negativos que você vai obter.
