Artigos, Sexualidade

DISFUNÇÕES SEXUAIS MASCULINAS

Muitos homens sentem-se ainda retraídos na procura de ajuda especializada quando se tratam de problemas de caráter sexual que possam ter.

Mas, quanto mais cedo assumirem que podem precisar de apoio e aconselhamento profissional, mais qualidade de vida ganham. Muitas das disfunções são facilmente tratáveis.

As disfunções sexuais masculinas mais comuns são:

 Tipo de disfunção
DesejoPerturbação de desejo sexual hipoativo
ExcitaçãoDisfunção erétil
OrgasmoDisfunções Ejaculatórias, Inibição do orgasmo
DorDispareunia

PERTURBAÇÃO DE DESEJO SEXUAL HIPOATIVO

 “Ausência ou deficiência persistente ou recorrente de fantasias e desejo de atividade sexual” (Fonte: DSM IV)

Causas psicológicas:

  • Pode estar associada a outras disfunções sexuais no homem ou na parceira;
  • Distanciamento emocional e conflitos no casal também foram associados a esta disfunção, embora seja difícil perceber se é a causa ou a consequência dela;
  • Doenças psiquiátricas (depressão e ansiedade);
  • Acontecimentos de vida, luto e outras perdas.

Causas orgânicas:

  • Efeitos gerais de uma doença física;
  • Doenças físicas específicas: Doença hepática, Tumores pituitários secretores de prolactina, Deficiência de testosterona (rara, embora seja frequente na prática clínica os doentes associarem a sua diminuição do desejo à diminuição de testosterona, sendo mais difícil reconhecer causas mais prováveis como a perda de atração pela parceira);
  • Iatrogenia : Anti-hipertensivos, antidepressivos, antipsicóticos, anticonvulsivantes.

DISFUNÇÃO ERÉTIL

A idade é um fator que se relaciona com o aparecimento de disfunção erétil. Enquanto os indivíduos mais jovens têm mais probabilidade de desenvolver disfunção erétil de causa psicológica, os homens com mais idade desenvolvem habitualmente disfunção erétil de causa orgânica, devido a uma maior comorbilidade com diversos fatores de risco.

A disfunção erétil ou impotência sexual é a incapacidade persistente ou recorrente para atingir ou manter uma ereção adequada até completar a atividade sexual, provocando acentuado mal-estar ou dificuldade interpessoal.

A disfunção erétil pode ocorrer por várias causas, dentre elas, orgânicas, psicológicas ou mistas.
Para a resolução da disfunção erétil é fundamental não só a ida a um especialista, para se chegar a um diagnóstico adequado, como o diálogo aberto com a(o) parceira(o).

As causas da disfunção erétil podem ser muito variadas:

  • Doenças vasculares (arteriosclerose, problemas cardíacos, hipertensão, etc.)
  • Problemas neurológicos (lesões nervosas, esclerose múltipla, doenças degenerativas, etc.)
  • Diabetes
  • Problemas hormonais (redução na produção de hormônios)
  • Uso de determinados medicamentos
  • Problemas psicológicos 
  • Estresse
  • Depressão
  • Ansiedade
  • Medo do fracasso
  • Baixa autoestima
  • Insatisfação / Conflito conjugal
  • Informação deficiente/mitos sobre a sexualidade

DISFUNÇÕES EJACULATÓRIAS

Ejaculação prematura, precoce ou rápida

Dificuldade em controlar a ejaculação, que em alguns casos pode ocorrer antes, no momento da penetração ou logo após a penetração, limitando a satisfação sexual. É uma das disfunções sexuais mais comuns, sobretudo entre os mais jovens, no entanto, a vergonha frente a esta dificuldade, não permite que muitos homens procurem tratamento.
 
As causas são sobretudo psicológicas, relacionadas com ansiedade e estresse, mas podem estar envolvidas causas biológicas. Pode também estar associada a consumo de álcool e/ou drogas. O seu tratamento poderá incluir a terapia sexual, psicoterapia e medicação.

Anejaculação

Ausência completa de ejaculação, conservada a sensação de orgasmo. Deve-se à inexistência de fase de emissão, havendo fase de expulsão.

Etiologia:

Principais Causas psicológicas:

  • Receio de provocar uma gravidez
  • Ejaculações fora do coito sob a forma de poluções noturnas, ao acordar ou no decorrer da masturbação

Principais Causas orgânicas:

  • Esclerose múltipla
  • Mielite transversa
  • Lesões vertebro-medulares
  • Iatrogenia medicamentosa e cirúrgica

Ejaculação retrógrada

Ausência total ou parcial de emissão de ejaculação, devido ao insuficiente encerramento do esfíncter uretral interno. O esperma passa da uretra posterior para o interior da bexiga permanecendo a sensação de orgasmo.

Etiologia:

As causas poderão ser de ordem psicológica, neurológica e medicamentosa.

Ejaculação astênica

Também chamada de ejaculação babante ou incompetência parcial ejaculatória (Kaplan, 1988), consiste na diminuição ou ausência de contrações musculares que projetam o esperma (ejaculação sem força).

Etiologia:

  • Ocorre em homens com lesões medulares, como os paraplégicos e para parésicos em que só permanece ativo o centro secretor medular.
  • Causa urológica obstrutiva: HBP, Estenoses uretrais, Hipotonias do esfíncter externo.

Ejaculação retardada

Também chamada de incompetência ejaculatória (Masters & Johnson, 1970), deve-se ao atraso ou inibição específica dos mecanismos de ejaculação. É involuntariamente uma ejaculação muito tardia.

Relativamente pouco frequente e a prevalência não ultrapassa os 5%

INIBIÇÃO DO ORGASMO MASCULINO

Dificuldade persistente ou incapacidade de atingir o orgasmo apesar da presença de desejo, de excitação e estimulação. O homem não é capaz de ejacular com a sua parceira, sendo capaz de ejacular na masturbação ou durante o sono. Diferente da anejaculação porque nesta o homem consegue atingir o orgasmo.

Relativamente raro e provavelmente a disfunção que se encontra menos frequentemente na prática clínica.

Etiologia:

Causas orgânicas relacionadas com iatrogenia farmacológica:

  • Anticolinérgicos
  • Antiadrenérgicos
  • Anti-hipertensivos
  • Psicofármacos

Causas psicológicas:

  • Estimulação desadequada
  • Medo (gravidez, compromisso)
  • Ansiedade de performance
  • Trauma sexual prévio
  • Hostilidade da parceira e problemas na relação conjugal
  • Homossexualidade latente

DISPAREUNIA

Dor genital antes, durante ou após a relação sexual. Ocorre apenas em cerca de 1% nas amostras clínicas

Causas orgânicas:

  • Infeção genital
  • Prostatite
  • Fimose

REFERÊNCIAS

Cavalcanti RC, Serrano RH, Lopes G, 2005, Ejaculação Precoce/Rápida Consenso da Academia Internacional de Sexologia Médica, Guanabara Koogan, Rio de Janeiro

Kaplan H., 1989, How to Overcome Premature Ejaculation, Routledge, New York

Nobre, P – As disfunções sexuais. Ed. Climepsi. 2005

Nobre P, 2010, Determinantes psicológicos do funcionamento sexual, Acta Portuguesa de Sexologia, Volume V nº 1, 32-44

Serrant-green L.,Mcluskey J.,2008, The Sexual Health of Men, Radcliffe Publishing, Oxford

Tomlinson J., 2005, ABC of  Sexual Health Second Edition, Blackwell Publishing, Oxford