Artigos

O processo de “cura” na terapia

Essa semana atendi uma paciente que me fez refletir sobre como as pessoas procuram uma solução mágica pros seus problemas. Ela chegou relatando que havia feito outras terapias, mas que não tinha paciência pra ficar “conversando”. E que ela marcou comigo pra eu realizar uma consultoria e resolver o problema dela. 

Era uma questão na área sexual que ela carregava há 40 anos. Além das questões de saúde que pioravam a situação. Mas ela precisava resolver urgente porque quer se casar.

Fui muito direta em explicar que uma questão assim não seria resolvida em uma consulta. E ela insistindo que deveria existir algum medicamento ou suplemento que resolvesse sem precisar de terapia. Sim, ela só queria um comprimido pra resolver 40 anos de traumas sexuais. 

Como eu queria enquanto psicóloga ter esse tipo de ferramenta, seria mais fácil pra mim também. 

A questão é que o processo de “cura” na terapia não se compra, o processo de “cura” é a gente (terapeuta-paciente) que FAZ ACONTECER. Requer muita paciência, auto compaixão e persistência. Mas é um processo lindo de se vivenciar e que traz uma sensação gigante de plenitude e libertação.

Eu falo sobre “cura”, entre aspas, pois não se fala em cura absoluta em psicologia. E sim na redução dos sintomas, melhora da qualidade de vida, superação de traumas e elaboração de experiências difíceis. Até chegar o momento em que você não sofre mais com seu passado e consegue se libertar pra viver a vida que sempre quis.

Infelizmente essa é a realidade de muitas pessoas, que afirmam que terapia não funciona. Não estou falando aqui de terapeutas ruins, sim, eles existem, assim como em qualquer área profissional. Mas sempre que escuto isso, fico me perguntando o quando aquela pessoa realmente estava disposta e aberta às mudanças que queria na sua vida. E o quanto estava disposta em FAZER ACONTECER.

Sendo a psicologia oriunda da área médica, muitas pessoas cometem o erro de achar que nós temos comprimidos que resolverão o problema em 15 dias. Quase como tomar um antibiótico pra resolver uma dor emocional vinda desde a infância. Talvez aos poucos a percepção das pessoas mude e elas passem a compreender que precisam se comprometer e se engajar pra que as mudanças aconteçam. E foi exatamente por aí que nós começamos a terapia dela.